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O Combate Central da Reforma
JEAN-MARC BERTHOUD·MONERGISMO
A NAVALHA DE LUTERO Ao descobrir a verdadeira natureza da justiça de Cristo, obtida a nosso favor por meio de sua encarnação e, mais ainda, por sua obediência humana perfeita de toda a lei de Deus, e depois pela imputação da justiça ativa e passiva perfeita de Cristo ao crente perdido, que Lutero foi liberto somente pe…
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A NAVALHA DE LUTERO Ao descobrir a verdadeira natureza da justiça de Cristo, obtida a nosso favor por meio de sua encarnação e, mais ainda, por sua obediência humana perfeita de toda a lei de Deus, e depois pela imputação da justiça ativa e passiva perfeita de Cristo ao crente perdido, que Lutero foi liberto somente pela justiça de Jesus Cristo. Esta justiça, de alcance impossível por nossas próprias forças, é fruto somente da graça divina ( sola gratia ), comunicada àquele que crê ( sola fide ) pela ação soberana do Espírito Santo. Este combate se encontra no cerne da luta travada por Lutero com vitória contra o sistema herético romano — o nominalismo da escolástica tardia. Neste ponto a lógica corrosiva de Occam — sua famosa navalha — lhe foi de ajuda inestimável. Tendo encontrado o fundamento da fé nas santas exigências e nas maravilhosas promessas da Escritura, Lutero fez bom uso da famosa navalha para se desfazer das excrescências doutrinárias que a tradição romana, cada vez mais independente da Palavra de Deus, impusera com falsidade à igreja de Jesus Cristo como dogmas intangíveis. Assim, Lutero soube também utilizar a crítica bíblica dos humanistas — em particular a de Lourenço Valla (1407-1457) e de Erasmo de Roterdã (1466-1536) — para se livrar em sequência dos falsos dogmas acumulados ao longo dos séculos pela tradição romana distanciada da submissão verdadeira à Palavra escrita de Deus ( sola Scriptura ).
